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Por que ainda torcemos pelo Vasco?
Por Saulo Pereira Guimarães
Há times que existem porque jogam e times que jogam porque existem. O conceito não é meu nem foi criado no futebol. O Luiz Antônio Simas costuma aplicá-lo a escolas de samba, para diferenciar aquelas que dependem da avenida para sobreviver de outras que, com ou sem ela, funcionam — por serem instituições que existem durante o ano todo. O Simas diz que a Portela é, por exemplo, uma escola que desfila porque existe. Campeã sozinha em 1970, a Portela passou 47 anos sem ganhar o carnaval sozinha de novo. Mas ganhou. E não só ganhou como o título foi comemorado por torcedores (vivos). Eu estava lá.
Juro a você que já estava previsto que hoje, 21 de agosto, a Eixo fosse sobre o Vasco. Isso porque hoje, 21 de agosto, é aniversário do Vasco. Mas a vitória de seis a zero sobre o Santos mudou um pouco os meus planos. Em vez da Resposta Histórica, vamos falar do Vasco de hoje mesmo. Um Vasco cujo último grande título foi a Copa do Brasil de 2011. De lá para cá, rebaixado três vezes. Na última delas, sem subir no ano seguinte. Um Vasco que quase caiu em 2023 (quando perdeu para o Santos, inclusive). Um Vasco que era 17º colocado numa liga de 20 equipes ao entrar em campo contra o time do Neymar.
Não vi o jogo. Tinha ido à Liberdade com Ana Rita e, ao voltar, me surpreendi com o 1 a 0 na TV de um bar. Supersticiosamente, me mantive longe de qualquer notícia do Morumbi. Até que, ao checar o celular por acaso, me deparei com as mensagens. Tive de conferir para acreditar. E tendo conferido (e confirmado), dei início à festa. Os mais próximos me cumprimentaram e fiquei feliz por isso. Foi como se saísse de minhas costas um peso que eu nem sabia estar sobre elas. Eu tinha esquecido que futebol podia ser fonte de felicidade. Ainda mais, de felicidade tão grande.
Fiz questão de ver todos os gols, todas as mesas redondas e todos os memes. Fiz questão também de não esnobar ninguém, porque ninguém sabe mais do que um vascaíno o que é perder. Na segunda, fui trabalhar com a camisa do Vasco. E pude ter orgulho não só por torcer para o time que disse não ao racismo, que construiu o maior estádio da América Latina só com o apoio da torcida e que, desde os anos 1970, não virou década sem vencer um título nacional. Pude ter orgulho porque o Vasco venceu por seis a zero. E só. Uma vitória incontestável, contra outro grande e com tudo que a faz ainda maior.
Há times por aí que, depois de 14 anos sem grande vitória, já teriam acabado. Outros que, rebaixados quatro vezes, não teriam mais nenhuma torcida. Mas basta ver qualquer partida em São Januário para entender que o Vasco está vivo e passa bem. O que eu não entendia até outro dia era o porquê. E depois do seis a zero, eu acho que entendi. É que esses outros times vivem do que ganham dentro de campo. São placar-depedentes. O Vasco, não. Até para virar grande, o Vasco precisou vencer batalhas disputadas para além das quatro linhas. E, por isso, o Vasco deixou de ser dos que existem porque jogam. O Vasco joga porque existe.
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Até quinta, 8h30, aqui na Eixo.




Disse tudo sobre o nosso VASCÃO !! Amei!! Parabéns!
É o mesmo caso do meu Bahia. BBMP.