Walter Firmo
O que revelam as fotos de Walter Firmo?
Por Saulo Pereira Guimarães
Na cadeira de balanço, Pixinguinha sonha com um mundo melhor. Ele não corre, mas olha o céu, enquanto segura com a mão direita o saxofone dourado que descansa com a boca negra aberta sobre seu colo. A camisa branca do pijama tem punhos dobrados e as pernas cruzadas mostram uma nesga da canela esquerda entre o fim da calça creme e o começo da meia azul, elegantemente rematada por um velho sapato de couro marrom. Tudo isso num quintal de piso cimentado sim, mas com folhas, canteiros dos quais saem árvores com os troncos cobertos de cal e até um carrinho de mão, discreto e esquecido ao fundo.
Dona Zica veste uma blusa de manga rosa no canto esquerdo da janela verde da casa cor de rosa, número 950. À frente dela, do lado de fora, está Cartola, com cigarro, relógio e os inseparáveis óculos escuros, de camisa de manga azul, cinto preto, calça de brim escura e relativamente curta e sandálias de couro negro, sentado e apoiando o braço direito na cadeira. As posições ocupadas pelos dois criam uma irresistível sensação de ritmo, digna dos melhores sambas. À direita de Cartola, sempre ele, o violão. Dessa vez, apoiado no canteiro sem grama de poucas plantas, em que a única flor até é vermelha, mas não é uma rosa.
Clementina de Jesus veste branco da cabeça aos pés. Seu torso é branco. Seu sorriso é branco. Seu vestido com rendas e babados é inteiramente branco. Está sentada, mas não se vê o banco ou o espaldar da cadeira. Um par de argolas douradas nas orelhas, pulseiras no braço direito que segura a bengala de madeira e o relógio no braço esquerdo são detalhes no contraste entre a sua pele negra e o mundo branco de tecido que a envolve. O piso da sala é de lajotas vermelhas. A parede, de um azul portelense — aliás, como ela. À sua direita, um arranjo de bambu sustenta uma angulosa samambaia.
Ismael Silva sorri com os Arcos da Lapa ao fundo. O paletó e a gravata brancas contrastam com a camisa e o lenço vermelhos, este último no bolso do paletó. Branca e vermelha também é a placa de trânsito, pequenina, à direita e mais ao fundo do sambista — o único detalhe a mais da foto. Fora isso, a grandiosidade simples dos arcos conversa com a simplicidade grandiosa do sorriso de Ismael, que, junto da carapinha grisalha, transmite confiança no seu rosto negro já vincado pelo tempo.
E, para fechar, Martinho da Vila. Numa espécie de Cristo Redentor às avessas, está de braços cruzados e sorrindo com o Pão de Açúcar ao fundo. As listras pretas e brancas de sua blusa com mangas que poderiam ir até o pulso mas estão arregaçadas pelo meio do antebraço contrastam com a festa de cores de uma manhã carioca, dando a ele, por isso mesmo, ainda mais destaque. Já disse que ele sorri? Pois é, ele sorri. Um sorriso manso e devagar, devagarinho, com os olhos levemente fechados que só tem quem enxerga longe.
Leia também
E aí, curtiu? Mande um alô!
Salve, meu povo! A Seleção empatou na estreia, mas nossa última edição foi longe. “Adorei a entrevista com a Amarelinha, porém tenho cada dia menos simpatia com ela”, revelou Ana Rita Cunha. “Reage, Amarelinha. Essa crise vai passar. Breve você voltará a ser nosso símbolo de festa, confiança e união”, acrescentou Eliete Pereira.
Ludmila Primo, minha irmã e Robson Santos deixaram likes.
E aí, curtiu? Conte via Insta, BlueSky ou e-mail.
Até quinta, aqui na Eixo!
Já somos mais de 300! Não é nosso assinante ainda? Então, clique aqui.








Uma das minha fotos favoritas é a que o afirmo tirou da Ivone Lara, amo as cores, a alegria serena de quem sabe das coisas e o jeito que a pose dá uma autoridade, uma camada a mais de dignidade à grande compositora que ela era. https://ims.com.br/walter-firmo-audioguia-parada-007/