Riocard
Como pagar a passagem no Rio?
Por Saulo Pereira Guimarães
Os ônibus do Rio vão deixar de aceitar dinheiro como forma de pagamento. A mudança estava prevista para o último sábado (30), mas a Justiça adiou a implementação da medida. A partir do próximo dia 28, o passageiro só poderá pagar a passagem por pix, cartões de débito e crédito, Jaé ou um tipo específico de Riocard. “Atualmente, cerca de 95% das passagens dos ônibus municipais já são pagas sem uso de dinheiro em espécie”, informa a Prefeitura. Atualmente, a tarifa carioca está em R$ 5.
A novidade é o mais novo capítulo da verdadeira gincana que se tornou pagar a passagem no Rio. Para começar, há, pelo menos, quatro formas de se fazer isso. Além do dinheiro, (ainda) aceito em (quase) todo canto, há o Riocard, um verdadeiro ícone. Todo carioca que se preze calça chinelo de dedo, tem escola de samba do coração e já usou um Riocard. Desde 2023, o Riocard ganhou um concorrente: o Jaé, criado pela Prefeitura, que também faz integração. Ou seja, permite que se pague R$ 5 para viajar até três vezes de ônibus e VLT num período de 3h. Por fim, existe ainda o menos lembrado Giro, roxinho, que só passa no metrô.
Escolhido o cartão, o passageiro deve estar atento. Afinal, não é certeza de que ele — o cartão — vai ser aceito pelo modal escolhido. Nos trens, a tarifa de R$ 7,60 pode ser paga com Riocard, mas não com Jaé. E a tarifa de integração com outros modais — R$ 9,40 — só é cobrada via Riocard. Já no metrô, o Jaé passa. Mas a tarifa é mais alta — R$ 7,90 — e o valor da integração varia em função da próxima viagem. Se for com trem ou barca, R$ 9,40 e só com Riocard. Se for com ônibus, R$ 9,70, com Riocard ou Jaé. O tal Giro, coitado, não integra, mas dá desconto no RioScenarium e no Circo Voador. É sério.
Se a roleta for das barcas, as regras são diferentes. A tarifa varia em função do destino — R$ 5 para Paquetá, Cocotá ou Praça Araribóia e R$ 7,70 para Charitas — e o pagamento, de verdade, eu nem sei como é que fica. Como o trajeto da Praça XV a Paquetá (ou a Cocotá) se dá dentro da cidade do Rio, o Jaé deveria integrar, mas parece que isso não acontece. Por fim, o VLT, caçulinha dessa turma toda, tem tarifa igual aos ônibus — R$ 5 — e integra com eles via Jaé e Riocard. É o único modal em que o dinheiro não é aceito. A multa para quem é pego sem ter validado o cartão é alta: R$ 170.
Com tanto cartão, preço e regra diferente, o Rio talvez devesse pensar num meio de pagamento unificado para seu variegado sistema de transportes. Minha sugestão é que se crie uma espécie de título virtual ou com suporte físico, com valor de mercado reconhecido. Esse título seria aceito tanto em ônibus como em estações de barcas, metrô e trem, sendo também recebido no VLT e, importante, válido para todas as integrações possíveis e imagináveis. Ele poderia, inclusive, ser utilizado pelos passageiros em outras situações, como venda de força de trabalho e aquisição de bens e serviços. Sugiro que se batize esse título como dinheiro e que o real (R$) seja sua unidade de medida.
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Uma amiga paulista que ama o Rio diz que a cidade é incrível, mas tudo que faz dela uma cidade funciona mal. Taí esse confusíssimo sistema de transporte ainda que a vista seja linda e tenha pipoca com bacon e queijo no ponto de ônibus. O Simmel, em a Filosofia do dinheiro, defende que as relações intermediadas por dinheiro representam o patamar máximo da individualização humana. Fiquei pensando o que diria o alemão se conhecesse o Rio hoje?
eu sempre me perco entre tantos cartões quando vou ao Rio. No carnaval esse ano acabei desistindo de todos e passando cartão de débito por aproximação. Se tem uma coisa que SP pode ensinar é isso, o bilhete único por aqui dá mto certo, apesar de ter tbm algumas variações...