Milei
Por que o presidente argentino usa tênis de corrida?
Por Saulo Pereira Guimarães
Deve ser porque eu nasci em Madureira. Deve ser porque eu passei a vida toda vendo velhinhos passarem de chapéu de feltro azul, camisa branca de manga curta, saia ou calça de linho azul e sapato branco na minha porta a caminho da Portelinha. Ou, no limite, deve ser porque era feio mesmo. Mas uma das coisas que mais me chocou na passagem de Javier Milei por São Paulo foram os tênis de corrida que ele escolheu para usar com o terno e que, se eu tivesse escolhido, certamente seriam alvo de reprimenda institucional por parte da presidente aqui de casa.
O par de tênis de sola grossa e completamente preto fatigou ainda mais minhas retinas já fatigadas por volta de 9h43 do último sábado, quando chefe de estado e comitiva chegaram ao Palácio dos Bandeirantes — onde, além do frio, da primeira-dama e do governador, só mesmo nós da imprensa o esperávamos. Desde a véspera, circulava pelas redações o boato — depois, confirmado — de que Tarcísio estenderia um tapete azul para recebê-lo. Afinal, como é público, ambos não são muito fãs de vermelhos. No dia e na hora marcada, lá estava o tapete. É bem verdade que o traje da guarda de honra do palácio, convocada para ocasião, era majoritariamente vermelho. Mas não creio que isso justificasse os afrontosos tênis de corrida escolhidos para data por Javier Milei.
O encontro entre as autoridades foi rápido. Afinal, nem Tarcísio falava espanhol, nem Milei falava português. Esforçado, o governador ainda soltou um “minha esposa” ao apresentar a primeira-dama. Mas não passaram disso. Pelo menos, naquele momento. Pousaram para as câmeras e seguiram para ala residencial.
Dali, Milei rumou, pouco tempo depois, para o Pacaembu, onde acontecia a convenção do PL que lançaria a candidatura de Flávio Bolsonaro. Eu não o acompanhei. E lá, ao que tudo indica, o presidente argentino se sentiu mais à vontade. Já subiu no palco dançando com o senador e, de posse da palavra, não se fez de rogado. Num discurso a la Fidel Castro, com quase meia hora, criticou programas de transferência de renda como Bolsa Família, mandou um abraço a Jair Bolsonaro e, para fechar com chave de ouro, chamou Alexandre de Moraes de “lixo careca”. É um xingamento quase infalível. Afinal, podemos discutir se Xandão é um lixo ou não. Já sua calvície é inegável. Ela existe e está fora de questão.
Os anfitriões da festa amaram e, de acordo com a Folha, só não gostaram mais porque Milei falou muito rápido e eles não conseguiram entender 100% das coisas que ele disse. O mesmo não se pode dizer do Itamaraty, que pediu esclarecimentos a embaixada argentina em Brasília e convocou de volta o representante brasileiro em Buenos Aires. Questionado sobre o tema, Lula disse que não sabia quem era Milei. Mas ficou claro que o presidente brasileiro precisa conversar mais com seus comandados. O ministro da Fazenda definiu o argentino como “um palhaço”. O vice-presidente disse que sua atitude foi “absolutamente grosseira”.
Já sobre os tênis de corrida, silêncio absoluto.
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Salve, meu povo! Bento Ribeiro fez sucesso. “Quantas memórias boas! Melhor ainda é ter feito parte delas”, afirmou Eliete Pereira. “Gosto muito de como você escreve sobre suas memórias, sempre dá saudades do Rio”, disse Amanda Evelyn.
Deixaram likes Alexandre A de Almeida, Ana Rita, Bia Sanz, Carolina Nogueira, Fernanda Bassi, Luciane Scarazzati, minha irmã, minha sogra, Pedro Christófaro, Rafael de Pino, Renan França, Robson Santos e Tiago Rogero.
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Amigo, aqui na Europa, vejo com frequência essa vestimenta. Como está no verão, não tem palitó. Mas calça social e tênis de corrida. Ainda não adotei porque, diferentemente do Milei, ainda temo o julgamento da Glória Kalil, que, aliás, sobre esse look, provavelmente também manteria silêncio absoluto. De horror.
O texto está delicioso, mas a foto é impagável. Parabéns pelo excelente registro do instante fotográfico!