Meias
Por que é tão difícil obter informação confiável?
Por Saulo Pereira Guimarães
Minhas meias estão decrépitas. Algumas, com pequenos furos após anos de uso. Outras, gastas na sola do pé, depois de me sustentarem por décadas. Por sorte, nenhuma com o clássico buraco no dedão. Mas todas, em diferentes níveis, igualmente decrépitas. Desgastadas, cansadas e perto de acabar.
Diferentemente de mim, as meias não dormem nem escrevem crônicas nas quartas à noite. Elas só trabalham, o que justifica o estado atual delas, que é inegavelmente pior do que o meu.
Eis que, diante disso, fui atrás de dar a elas o merecido descanso. As meias têm, por característica, a natureza de não serem um bom presente. Por conseguinte, quem quiser ter meias novas quase sempre têm de comprá-las. Foi o que eu fiz, da forma mais contemporânea possível: olhando na internet.
Um amigo me disse há alguns meses que meias de poliamida eram melhores para correr (sim, eu estou correndo). E eu tenho um tênis branco que tem por dentro uma parte de tecido que não se dá bem com meias de outras cores. Esses eram os dois fatores a serem levados em conta na compra, além do preço.
Mas eu tenho uma confissão a fazer.
Sou um comprador chato, desses que vê o mesmo produto 200 vezes antes de comprar, para não se arrepender depois. Com as meias, não seria diferente. Mas senti falta de informação qualificada para embasar minha decisão. O homem chegou à lua, criou a inteligência artificial e o delivery de comida japonesa, mas ainda não foi capaz de pensar uma alternativa ao Estreito de Ormuz, uma jornada de trabalho com menos de cinco dias por semana nem uma forma confiável de reunir dados sobre um determinado produto. No caso, sobre meias.
Hoje em dia, o processo de dizer se algo é bom ou ruim quase sempre esbarra em alguma forma de patrocínio ou de contra-propaganda, pensada para viralizar. Uma análise ponderada, confiável e isenta virou um negócio incrivelmente raro e valioso no auge da era da informação. No fim, há muito barulho, mas pouco fato.
Existem, acredito, meias caras que sejam muito boas, meias baratas que sejam muito ruins e as demais combinações possíveis entre esses quatro adjetivos. Alguém que me esclarecesse isso sem receber dinheiro de ninguém era o que eu precisava, mas não achei de forma nenhuma. Todos que falam bem parecem levar algum. Todos que falam mal parecem querer ganhar seguidores para, no futuro, também tirar o deles. E, no meio disso tudo, fica a gente, atrás de boas meias.
Essa é a internet brasileira em 2026.
Sendo assim, em pleno século XXI, tive de adotar uma solução salomônica para meu dilema com um quê de idade média. Fiquei entre duas marcas: uma mais cara e badalada e outra mais barata e menos conhecida. Se as resenhas sobre a primeira tinham um jeitão de comercial e não citavam possíveis defeitos, os comentários sobre a segunda eram raros e poucos conclusivos. No fim, comprei uma meia de cada marca, para ver qual é a melhor e adquirir outras depois. Foi o jeito.
Leia também
E aí, curtiu? Mande um alô!
Salve, meu povo! Nossa edição sobre a Zona Sudoeste rodou o mundo. Eliete Pereira disse que não gosta das trocas de nomes. “Além de criar confusão em nossas cabeças, considero um desrespeito. Quanto à atual Zona Sudoeste, com certeza, a questão financeira falou mais alto”, afirmou. Já Marina lembrou do Sudoeste, em Brasília, “um bairro onde não passa ônibus (passa, mas é como se não passasse)”.
Deixaram likes Dinorá Zanina, Laila Nery, Ludmila Primo e minha sogra.
E aí, curtiu? Conte via Insta, BlueSky ou e-mail.
Até quinta, às 8h30, aqui na Eixo!



Quando o site da essa opção, eu sempre filtro pra ver as piores reviews, pq em geral os argumentos de quem da uma estrela sao muito burros, ai desconsidero da média hahaha!!!
Você precisa ser apresentado aos reviews da SHEIN e da Shopee. São 100% confiáveis quando não falam “chegou no prazo e bem embalado, ainda não testei. cinco estrelas”