Olá!
Achei por bem esclarecer os termos do nosso acordo. Vai ser um prazer ter sua companhia nessas viagens, cujo o objetivo principal é nos distrair.
Qual é o meu compromisso com você?
Por Saulo Pereira Guimarães
Pode entrar, só não repare a bagunça.
O mais provável é que seja noite e eu lhe escreva de São Paulo, sentado à cabeceira da mesa, depois de mais uma quarta-feira de trabalho.
A TV deve estar ligada no mudo, só para fazer companhia. E, no sofá ali ao lado, Ana Rita se distrai enquanto lê um livro ou vê algo no celular.
Mas há outros cenários possíveis.
Pode ser que eu esteja na sala de estar de um apartamento de uma rua arborizada numa manhã de sol, no escritório cheio de livros no segundo andar de uma casa ou em um quarto de pousada sem janela.
O lugar não importa, já que o compromisso não muda: escrever toda semana algo interessante sobre a experiência de viver nas cidades do Rio e de São Paulo — as maiores do país e as duas em que já tive domicílio fixo.
Não consigo lhe oferecer um café agora. Não por estar ocupado, mas por deficiência do meio mesmo. Quem sabe, no futuro, dê para gente fazer da Eixo um encontro em que seja possível estar junto e jogar cinco minutos de conversa fora sem o obstáculo tão arcaico das palavras e da distância.
Enquanto isso não acontece, achei por bem esclarecer os termos do nosso acordo.
Temos um papo marcado toda quinta, às 8h30, na sua caixa de entrada.
É um bom dia porque ainda não é sexta, mas já é quase e, nos associando ao fim de semana, existe uma chance maior de que você goste de ler.
Eu me comprometo a enviar até 3500 mil toques — nem um a mais —, nunca cobrar por isso e agradeço desde já seu comentário via Twitter, e-mail ou Instagram.
Por quê? Porque eu gosto de escrever. E quem escreve, escreve para ser lido.
Sobre o que a gente escreve? Ah, sobre tudo.
Já falamos sobre a tentativa da Barra de se separar do resto do Rio, da língua que se fala na Cracolândia, Kelly Jorge, das lojas de vinil da rua Barão de Itapetininga, do 23 de abril no subúrbio e até sobre bronquite.
A caixa de ferramentas do arremedo de cronista precisa ser como a bolsa do Gato Félix. Talvez você não seja velho o suficiente para saber o que é arremedo, quem é o Gato Félix e como era sua bolsa. Não faz mal. O Google está aí para isso e você já sai daqui tendo aprendido algo de útil.
Recordo traumas, resmungo opiniões e passeio pelo tempo e pelo espaço.
Vai ser um prazer ter sua companhia nessas viagens, cujo o objetivo principal é nos distrair.
Com esse recado, eu lhe desejo boas-vindas a Eixo.
Ao todo, já foram mais de 100 e, por mais que meu psicólogo esteja em dia, eu não teria autoestima suficiente para manter a lojinha aberta por tanto tempo se não soubesse que, do outro lado da tela, existe alguém interessado em ler.
Muito obrigado por fechar comigo essa parceria.
Muito obrigado, principalmente e desde já, pelas mensagens de incentivo.
Muito obrigado por querer ver de perto o que eu mais gosto de fazer.
E aí, curtiu? Mande um alô!
Salve, meu povo! A cada edição, vamos reservar esse espaço aqui para conversar sobre o que você achou de cada número. Pode ser um elogio, uma crítica e até um comentário sobre algo que lhe ocorreu após ter lido. O importante é que parta de você. Foi a forma que encontramos de manter viva a conversa e, bem aos poucos, criar uma comunidade de leitores.
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E aí, o que achou?
Até quinta, às 8h30, aqui na Eixo.


