Bento Ribeiro
Às vezes, eu sinto saudade mesmo é de Bento Ribeiro
Por Saulo Pereira Guimarães
Às vezes, eu sinto saudade mesmo é de Bento Ribeiro. Mais especificamente, de andar de carro por Bento Ribeiro. Mais especificamente ainda, de andar de carro por Bento Ribeiro com meu pai ou com minha tia.

A ponte velha ainda era mão dupla. E toda vez que a gente passava pela rua Divisória, meu pai lembrava que, antes da fama, a Xuxa morava naquele prédio, logo antes do Colégio e Curso Itu. Saudade de quando havia o prédio do Colégio e Curso Itu. Uma vez, Pelé foi até lá buscá-la. Saudade de passar pelo Santa Mônica na hora do almoço. Saudade de subir a rua Gita, ver o clube Caiçara fechado e pensar “como está velho”.
Saudade do meu primeiro colégio. Logo na entrada, do lado direito, um quintal coberto de areia, com uma casinha e um brinquedão todo de madeira, com escorrego, balanço e muito mais. Do lado esquerdo, uma piscina, onde tínhamos aulas de natação. O professor se chamava Flavio, era branco e tinha bigode. E, nos fundos disso tudo, as salas. Maternal e jardins 1, 2 e 3 embaixo. CA, 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries, no andar de cima. Saudade das aulas de caratê nos fundos. O professor se chamava Átila.
O segurança do colégio se chamava seu Álvaro. Já era velho naquele tempo, usava boné e pochete e mantinha consigo um 38 enferrujado para qualquer eventualidade. Olhava os carros dos pais na calçada na hora da saída. Saudade de passar no banco de trás do Chevette azul da minha tia pelo terreno da Telerj na rua João Vicente.
Saudade de comprar cocada na festa de São Sebastião na Praça Manágua em janeiro. Muitas saudades, centenas de saudades, milhares de saudades sem hora nem lugar.
Mas sinceras, tranquilas, eternas.
Meu pai morreu. Fizeram a ponte nova e, já naquele tempo, a Xuxa não morava mais em Bento Ribeiro. O meu primeiro colégio fechou. Nunca mais vimos seu Álvaro, minha tia vendeu o Chevette e a Telerj foi privatizada. Pelo menos, ainda há festa na praça Manágua em janeiro. E, talvez, o espaço de existência percorrido entre todas essas transformações seja o que nos acostumamos a chamar de tempo.
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Salve, meu povo! Faltam sinônimos para falar do sucesso que foi a última edição. “Qualquer apego excessivo a uma regra, gera respostas burras que às vezes vão na contramão do motivo de existência da própria regra”, afirmou Ana Rita. “O melhor de tudo foi ouvir o criativo Jackson ilustrando o texto”, comentou Eliete Pereira.
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Que texto bonito, Saulo! Gosto muito de como vc escreve sobre suas memórias, sempre dá saudades do Rio e de vocês, é claro!
Amei o texto! Quantas memórias boas! Melhor ainda é ter feito parte delas. Minha relação afetiva com Bento Ribeiro foi aquecida.